Neste projeto colocava-se-nos desde logo o desafio de trabalhar a partir da memória dos antigos pavilhões industriais da fábrica de azeite, presente nos poucos traços que chegaram aos dias de hoje, apenas as fachadas já bastante marcadas por sucessivas alterações, e de como proceder à sua integração numa nova ideia de arquitetura, com um novo uso, num novo tempo.
E, como harmonizar a memória dessa fábrica, com a integração de um edifício habitacional antigo, de escala e natureza completamente diferentes, num quadro regulamentar atual, extremamente restritivo e que claramente tende a forças de uniformização das respostas a dar pelos arquitetos?
Por outro lado, como interpretar a presença de um espaçoso logradouro nas traseiras, delimitado entre o edifício e uma imponente parede de suporte da arriba sobre a qual passa a linha de comboio?
A resposta é uma arquitetura que assinala claramente a sua contemporaneidade, mas onde se lê as camadas históricas correspondentes aos vários tempos e tipologias de construção, unificados pela cor, materiais e ritmos. Nas traseiras, um expressivo e intenso jardim toma conta do logradouro, “sobe“ às varandas dos vários pisos, até ao terraço superior, de onde se avista a Lisboa em redor, com o seu carácter misto, industrial, habitacional, semi-rural e marítimo, patente na zona ribeirinha do Tejo que dali se avista.
- Architecture
- ARX Portugal, Arquitectos lda. © — José Mateus, Nuno Mateus
- Client
Convex + Mazarik + Dome Invest
- Project Years
2017
- Construction Years
2020-2022
- Total Area
- 6530m²
- Collaborators
ARX: Eduardo Oliveira, Ricardo Guerreiro, Sónia Luz | BOOST: João Dantas, José Nunes, João Vale, Tanyara Tolentino, Maria Azevedo
- Engineering
Graucelsius, Lda., Teixeira Trigo, Lda.
- Landscape Architecture
Baldios – Arquitectos Paisagistas
- Empreiteiro Geral
- FCM
- Fotografia
- Fernando Guerra · FG+SG