Esta casa localiza-se na urbanização do Martinhal, em Sagres, num Algarve litoral ainda pouco construído, talvez pelo seu clima agreste e ventoso. Tal como na generalidade do país, também aqui chegaram os aldeamentos de pretensões típicas ou rústicas, reclamando arquitecturas de “casas portuguesas”, para agradar e vender a turistas estrangeiros. A homogeneidade destas urbanizações ao longo do país quando confrontadas com a riqueza e circunstância da arquitectura popular portuguesa surge como uma tipologia colonizadora, desconhecida, equivocada e sem terra.
O projecto foi desenvolvido no âmbito do plano de urbanização, nas distâncias da construção aos limites do lote, mancha de implantação, área bruta e caracterização volumétrica. O volume maior e mais elevado da casa está localizado a norte, para criar um pátio central -, revestido em mármore,- protegido dos fortes ventos dominantes. O volume onde se situam os quartos em forma de “L”, cria maior privacidade na área da piscina.
As relações espaciais interiores/exteriores estão articuladas através dos pátios, protegendo as grandes superfícies vidradas da forte incidência solar, enquanto filtram e reenquadram fragmentos de paisagem intacta. A vida no exterior da casa debruça-se sobre a ravina da linha de água. A casa branca com coberturas planas, recupera a tipologia algarvia das casas de sequeiro, que os aldeamentos turísticos parecem desconhecer.
Premiada com International Architecture Awards 2008 – Chicago Athenaeum
- Architecture
- ARX Portugal, Arquitectos lda. © — José Mateus, Nuno Mateus
- Client
Cliente Particular
- Project Years
2002 - 2003
- Construction Years
2005 - 2007
- Total Area
- 320m²
- Engineering
SAFRE
- Empreiteiro Geral
- SCFS
- Fotografia
- Fernando Guerra · FG+SG